Cartas sem destino

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Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Sinais do Destino

 

 

 

 

Eram 23 horas quando Pilar abriu a porta de casa, Isabella esperava-a ansiosamente para lhe contar o que lera e para dizer a amiga a promessa que tinha infringido. Pilar também era curiosa por isso a atitude da amiga não a estranhou, mas ficou espantada com os sinais que a vida lhe poderia dar. Isabella disse-lhe que deixará uma carta para ela ler, mas teria que ser sozinha como ela o fez. Pilar estava tão cansada que foi tomar um duche, vestir o seu pijama dos ursos, beber um copo de leite e a carta ficaria para o dia seguinte, pois estaria sozinha em casa. Mas disse a Isabella:

- Sabes, amiga, acho que deviamos deitar estas cartas todas fora, na reciclagem. Acho que precisamos de começar uma nova etapa nas nossas vidas.

- Concordo contigo, Pilar! Cartas fora, homens fora... temos é que nos divertir e viver, já basta o nosso trabalho desgastante!

- Tens razão, Isabella! Sabes, tenho uma coisa para te dizer ... mas no fim de semana falamos com mais calma, fizeram-nos uma proposta e acho que devemos pensar bem!

- Está bem, no domingo estás em casa? Eu só entro no turno da noite.

- Eu também, Isabella! Acho que vamos passar o dia a nos aturarmos uma à outra. Bem, vou dormir! Descansa, amiga ... amanhã é um novo dia!

- Descansa, Pilar! E assim que leres a carta, liga-me. Estou curiosa com essa última carta!

- Sim... cusca ... ligou-te!- rematou Pilar, indo direitinha para o seu quarto.

No outro dia de manhã, ainda meio a dormir, abriu a carta , era de uma mulher para o seu amante, uma carta de desespero, de angústia. À medida que ia lendo a carta as suas lágrimas rolavam pelo rosto, já estava como Isabella será que o destino, a vida, o tempo lhe queriam dizer alguma coisa?

 

" Meu Amor,

Sempre te jurei amor eterno, sempre te disse que eras o amor da minha vida, mas nunca te escondi que era casada, que tinha quatro filhos e um marido que me dava tudo. Nunca te escondi que sem ele não seria a mulher que sou hoje. Nunca me prometeste eternidade, nunca disseste verdadeiramente que me amavas, mas no fundo de mim mesma eu sabia-o. Podes pensar que sou uma qualquer que salta de aventura em aventura, que salta de cama para cama, mas não ... desapareci porque o meu marido descobriu que eu tinha um amante, fez chantagem comigo, tentou suicidar-se, ameaçou os nossos filhos ... neste momento vivo num Inferno, com medo, com vergonha, com tudo ... o que mais te posso dizer? O nosso amor arruinou a minha vida, destruiu tudo o que tinha ... por isso desapareci ... o único alento que trago é o amor dos meus filhos e é por eles que vivo não por mim ...

Para sempre com Amor

Denise"

 

Pilar chorava compulsivamente ... será que tinha acontecido o mesmo ao seu amor, ele era um homem forte aparentemente, mas era tão frágil às vezes ... naquele momento Pilar sentiu que estava a perdoar-lhe a sua ausência, o seu silêncio, teria que caminhar em frente  ... Pegou no telefone e ligou a Isabella ... contou-lhe o teor da carta ... e esta respondeu-lhe:

- Amiga, eu também já perdoei o meu ... temos de seguir ambas em frente , seguir com as nossas vidas, afinal temo-nos uma à outra, não é verdade?

- Claro que sim ... amigas para sempre!

Imagem retirada da net

 

publicado por Ennoea às 11:00
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Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Não há coincidências ...

Imagem retirada de http://amadeo.blog.com/repository/292005/852989.jpg

 

Isabella andava inquieta pela sala, estava sozinha, precisava de se distrair daquele tormento do passado. Agarrou numa carta e nem se lembrou do que tinha prometido a Pilar, nunca lerem uma carta sozinhas, sempre as duas. Mas a sua amiga também não andava bem, tinha sido transferida para um serviço extremamente exigente a nível humana, havia dias que chegava de rastos, chorava e a sua vida pessoal estava de mal a pior. João tinha-lhe prometido a felicidade, tinha-lhe prometido amor eterno, mas Pilar chegará à conclusão que tinha sido mais uma aventura amorosa na sua vida, mais uma conquista para alimentar o seu ego masculino; nunca lhe pedirá para deixar a sua família, apenas lhe pedirá a verdade e não a mentira.

Isabella pensava para si mesma que os homens eram todos iguais e o melhor mesmo era ficar sozinha, Miguel tinha mudado de cidade repentinamente e nem lhe dera uma justificação.

Foi à cozinha buscar uma caneca de chá de camomila e umas areias, olhou para o caixote de cartas e tirou uma ao acaso, Pilar compreenderia que a solidão daquele dia teria sido preenchida por mais uma carta, uma vida desconhecida ... verificou que faltavam apenas duas cartas para abrir ... retirou a penúltima, a outra ficaria para Pilar.

Abriu o envelope devagar, era uma carta de um homem, com uma caligrafia perfeita, denotava-se um equilíbrio, uma perspicácia naquela letra.

 

"Londres, 17 de Janeiro de 2004

 

Querida Alexandra,

 

De certo estranharas esta minha carta, estás longe da nossa terra, longe dos teus familiares, longe dos teus amigos. Descobri a tua morada por um amigo comum e precisava de escrever-te a contar-te a verdade esperando que me possas perdoar. Sei que fugiste da vergonha, da humilhação que te fiz passar, sei que te abandonei no altar, que fugi de ti e de todos não tendo coragem para revelar o meu maior segredo. Sei que jamais me perdoarás, mas quero que saibas a verdade e o quanto me custou deixar-te ali, mas não podia casar contigo. Não podia permitir a mim mesmo, fazer-te infeliz para toda a vida, sempre acreditei que encontrasses alguém que te amasse de verdade e que me pudesses esquecer. Preferi assim. Não julgues que não te amei, amei-te com todas as minhas forças, não com paixão, não com desejo carnal, amei-te como amigo, como irmão, com a maior pureza que o Amor pode ter, nunca tive coragem para te dizer que amava outro homem, nunca consegui dizer-te que sexualmente não me sentia realizado contigo mas com outro, por isso evitava tantas vezes a intimidade, tu lembras-te disso ... Deixei arrastar a situação, evoluir o namoro com medo de te magoar, mas não podia adiar mais esta mentira, não podia permitir que ambos fossemos infelizes e quem sabe até os nossos filhos se os tivessemos.

Alexandra, perdoa-me por tudo o que te fiz, mas acredita que o meu amor por ti foi o mais puro e ingénuo de todos.

Um beijo para sempre

Filipe"

 

Isabella estremeceu ... será que tinha acontecido o mesmo ao seu noivo e vinha-lhe à mente uma frase ... "não há coincidências".

 

publicado por Ennoea às 15:13
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Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Dor do próximo ...

 

 

(Foto retirada da net)

 

 

 

Perder alguém que amamos ou nos é querido, é uma dor muito dificil de suportar.

Diariamente, Pilar e Isabella, lidavam com estas situações, nos seus empregos.

Familias que se desmoronam pela perda de entes queridos, mães que entram em depressão pela perda de um filho, mulheres que perdem os maridos. Filhos que perdem os pais...

É uma luta tão dificil...como se pode alguma vez superar a perda de um filho? De uma mãe, do pai, do marido, de pessoas que nos são chegadas?

Decerto, que o sentimento predominante nessas alturas é o de uma total impotência, por não se puder fazer nada, nem tomar o lugar dessa pessoa, sermos nós a sofrer, a partir...

No entanto, há pessoas que sentem que depois de passar por essa prova tão dura, têm como missão ajudar outros, que como eles também sofrem.

Alguns tornam-se verdadeiras Âncoras...aconselham, acompanham, dão animo, e uma palavra de conforto.

Existem instituiçoes que fazem um trabalho maravilhoso nesta area, Pilar e Isabella, reconheciam isso mesmo, pessoas que se davam a si mesmas, para ajudar na dor do próximo.

 

publicado por Raquel às 14:15
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Um filho nunca morre ...

Foto retirada de http://desmat.no.sapo.pt

 

 

Naquela noite, Pilar e Isabella não conseguiam dormir, estavam demasiado excitadas, nervosas, ansiosas com os seus amores ...

Então, Pilar lembrou-se:

- Isabella, já reparaste que há muito tempo não olemos nenhuma carta?

- É verdade, Pilar! Andavámos a esquecer do tesouro que temos cá em casa.- disse Isabella.

E lá foi Isabella a correr direitinha à caixa. No caminho, já vinha a abrir o envelope ...

 

" Querida Cristina,

 

Como não consegui ligar-te, pois dizem que o teu número já não existe, resolvi escrever-te esta carta para te dar uma notícia.

Da última vez que falámos o estado de saúde do Alexandre tinha piorado, passava uma semana em casa e três no hospital. Nestes últimos dois meses o seu estado piorou de dia para dia, nem dei conta que já não falavámos há três meses. Achei estranho o teu silêncio, mas amiga, estava tão desorientada e sem forças que apenas me concentrava na possível cura do meu filho, nalgum tratamento milagroso que lhe pudesse dar mais uns anos de vida ou que aparecesse um dador compatível.

Deixei de acreditar na medicina, nos homens e em Deus ... que mal poderá ter feito uma criança para sofrer tanto como ele sofreu?

Sim, Cristina, o Alexandre faleceu há 15 dias, deixou-me ... deixou-nos ... ainda penso que é um pesadelo ou que ele ainda está no hospital ... mas a verdade é que o meu menino, o meu bebé, o meu anjo partiu ... e a dor é tão grande, o vazio que ele deixou é tão imenso que nada, nem ninguém jamais poderá substituí-lo ...

Não mexi no quarto dele, está tudo igual como ele gostava, as suas roupas estão arrumadas e direitinhas no guarda-vestidos. Os livros que ele gostava de ler, os seus brinquedos favoritos ... e quando a saudade aperta muito, vou deitar-me na sua cama, agarrada ao urso Pintinhas e adormeço a chorar.

Não sei se conseguirei viver assim ou sobreviver ... a única certeza que tenho é que um filho nunca morre, ele continua vivo no nosso coração, no nosso ventre como se fosse o primeiro dia de vida, de ser ...

 

Amiga, preciso de ti ...

 

Um beijo

 

Anabela"

 

publicado por Ennoea às 18:38
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Amor Eterno...

 

 

 

(imagem retirada da net)

 

Durante o período de tempo, que passou desde o jantar até a abertura de mais uma das cartas, Pilar andava totalmente absorvida nos seus pensamentos.
Isabella por seu lado andava com uma nova esperança, quem sabe Gabriel ainda estivesse vivo…
Nessa manhã de sabádo tomavam o café sentadas na varanda, Pilar desfolhava o jornal, procurando as palavras cruzadas.
Isabella segurava numa torrada e com a outra mão segurava numa das cartas, que tinha retirado da caixa.
- Abre tu, Pilar.
- Ora vamos ver…Humm, um amor proibido…. Disse Pilar.
 
 
Querida Matilde:
 
Da janela do meu quarto, de onde tantas vezes te observei a passear por este jardim imenso, escrevo-te esta carta.
Lá ao longe, onde nos conhecemos e beijamos pela primeira vez, o nosso lago, mantém o mesmo ar fresco e água límpida de sempre, assim como me recordo do teu corpo, onde tantas vezes matei a minha sede.
Cada árvore que o rodeia de braços estendidos, fazem-me lembrar de ti, quando corrias para te aconchegares no meu colo, e eu de braços abertos te recebia.
Minha querida, não suporto mais esta tormenta, chegou a hora de partir, de me afastar deste mundo.
O meu coração chora profundamente esta partida, por ti, por mim…
A minha vocação chama-me, e por mais que te ame, para mim, ser-me –ia impossível viver, se não cumprisse os desígnios para que nasci e vim a este mundo…
Levarei para sempre comigo, o cheiro dos campos nos teus cabelos, o cheiro da tempestade de verão no teu corpo, o cheiro de amoras silvestres nos teus lábios.
Serás para sempre a minha amada, e um dia quando estivermos noutro lugar, onde não há pecado, ainda me recordarei de ti…
Sou teu… para toda a eternidade…
 
J.R.

 

publicado por Raquel às 05:00
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Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Um jantar á luz das velas

 

(Imagem retirada da net)

 

O jantar decorreu num ambiente extremamente romântico, nada foi deixado ao acaso, desde a comida afrodisíaca até ao próprio ambiente na sala.  

A sala era iluminada simplesmente por velas, elegantemente dispostas por cima de castiçais antigos...

As sombras desenhavam-se por trás de Pilar e João.

Os olhos de ambos encontravam-se constantemente, não escondendo o desejo que sentiam um pelo outro.

Pilar estava indecisa com o rumo que toda esta situação poderia tomar.

Falaram pouco ao jantar, deixaram que o silêncio transcrevesse o que pensavam.

Á saída, João segurou as mãos dela entre as suas, Pilar deu um passo atrás, como se fosse fugir do beijo que ele se preparava para lhe roubar.

Beijaram-se apaixonadamente e sem querer Pilar sentiu-se embarcar numa viagem proibida. 

publicado por Raquel às 17:30
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Demónio de Saias

 

la vie est belle.....

 

 (imagem retirada da net)

 

Os dias que se seguiram, foram vividos numa ânsia constante por Pilar...

 

- Tenho que me despachar, o João vem buscar-me ás 20h, vamos jantar fora. – Avisou Pilar, agitada e indecisa no que iria vestir nessa noite…
- Hummm, estou a ver… quer dizer que hoje não tenho companhia. - Respondeu Isabella, piscando o olho á amiga.
 Pilar não aceitava a ideia de estar rendida definitivamente a um homem...
Adorava flirtar com homens atraentes e que se faziam de difíceis, só para ter o prazer de os conquistar…era eximia na arte da sedução.
Quando o conseguia… deitava-os para trás das costas e seguia para a nova conquista.
Parecia reservada, mas quando queria tornava-se um demónio de saias.
Desde a escola que era assim, quando se recordavam desses tempos as duas, riam alto e bom som…
 
Ás 20h em ponto, chegou João…Isabella ouviu a campainha tocar e apressou-se a abrir a porta..
- Olá – exclamou ele..
- Olá João, sempre pontual..
Pilar dirigiu-se á sala, escolhera um vestido deslumbrante, que realçava ainda mais as suas formas irresistíveis…
- Estás linda…sussurrou Isabella, enquanto se dirigia para a cozinha…
João olhou-a e ficou embevecido… 

 

publicado por Raquel às 03:30
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Um amor além do visivel ...

 

 

 

Amor.

 

(Imagem retirada da net)

  

 

Isabella recordou com muita emoção uma conversa que aconteceu entre ela e Gabriel, quando começaram a planear a sua vida em comum...Planearam tanta coisa e nada aconteceu...

Queria tanto ter uma família com Gabriel, serem felizes...viverem um para o outro.

 

Pilar dando-se conta, interrompeu-lhe os pensamentos e informou-a:

 

- Sabes quem me telefonou? - disse sorrindo e tentando desanuviar o ambiente...

- Não... - respondeu Isabella fixando o olhar no infinito.

 

- O João , lembraste dele?

 

Isabella sorriu e acenou com a cabeça, dando sinal que sim.

 

João era um médico que Pilar conhecera quando estivera no campo de refugiados.

Desde essa altura que sentia um calafrio na espinha sempre que falava dele, era um homem charmoso e muito corajoso capaz de enfrentar tudo e todos...

Pilar amava-o como nunca amou ninguém, sentia que eram almas gémeas... havia um enamoramento espiritual entre ambos, algo mais que carnal.

Mas por vezes questionava-se se seria certo esse amor, uma vez que ele era comprometido, pelo menos era o que sabia...

 

 

publicado por Raquel às 15:30
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Semente de ti ...

 

 

Foto retirada da net

  

 

"Querido Marco

 

Desde que sai de perto de ti a minha vida tem sido um inferno ... os meus pais afastaram-me de ti, obrigaram-me a sair dai e viemos para outro país ... dizem que não conseguiam viver com a vergonha de ter estado enamorada de ti ... porque tu não tens estudos, porque és pobre e de más famílias... mas a mim, o que isso importa? O que me importa é aquilo que és, independentemente das tuas origens ... amo-te pelo teu interior, pela tua alma, pela força e coragem que tens em ti ... sei que irás longe, és determinado e ambicioso ... mas és um ser humano lindo, capaz de ajudar os outros e de fazê-lo gratuitamente ...

Estou a escrever-te à pressa, pois receio que eles entrem pelo quarto a dentro, ando vigiada, mas a minha prima fará que esta carta chegue até ti ...

Tenho uma novidade para te dar ... não sei se ficarás feliz ou não ... o meu pai não quer que saibas, mas eu tinha que te dizer ... seria injusta para contigo e tu não o mereces ...

estou grávida ... vais ser pai ... espero que fiques feliz como eu estou ... é a única coisa boa que me tem dado esperança a toda esta humilhação ... é a tua vida em mim, o prolongamento do nosso amor, a perpetuação da nossa entrega ...

Quando ele nascer darei notícias ou assim que poder ...

Um beijo de Amor com muitas saudades ...

Da tua

 

Beatriz

 

publicado por Ennoea às 10:28
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

A curiosidade mata ?

 

 Seu olhar...

Foto retirada da net

 

Após essas recordações penosas para ambas, Pilar e Isabella dedicaram-se intensamente à sua profissão, era uma altura complicada  em que era necessários turnos mais intensos. Ambas andavam cansadas, extenuadas e ocupadas com uma formação que tinham de fazer , nem da tal caixa que continha vidas e vidas, passados, memórias, dores e alegrias , escondida no roupeiro ...

Assim, passarem quase duas semanas ... até que num feriado em que ambas se encontravam em casa à hora do pequeno-almoço Isabella se lembrou: 

- Amiga, acho que nos andamos a esquecer  de uma coisa?

- O que? - respondeu Pilar, que já nem se lembrava das cartas.

- Olha, vamos terminar de comer os cereais e depois vamos ler uma cartita, antes de irmos às compras... o que achas?- sugeriu Isabella.

- Pode ser ... tu e a tua curiosidade .... - disse Pilar.

Isabella despejou a tigela de cereais num instante e quando Pilar deu por ela já estava com a cara enfiada no dentro da caixa. Desde miúda sempre fora mais curiosa do que ela. Pilar tinha medo de tudo o que fosse novo ... lugares novos, amigos novos, desportos novos ... Isabella apesar de às vezes parecer mais frágil era uma curiosa nata ... metia o nariz em tudo o que era sítio, tinha uma lata enorme em fazer as perguntas mais absurdas ... mas verdade seja dita a curiosidade e a intrepidez de Isabella tinham resolvido alguns problemas que elas tinham passado.

Quando terminaram o curso decidiram fazer o Inter Rail ... mas para azar de ambas foram assaltadas em Berlim e Pilar entrou em pânico ... Isabella sem saber falar alemão, meteu conversa com uma senhora alemã que falava castelhano por acaso e tinha um amigo português. O senhor Santos, motorista de táxi, levou-as à embaixada , emprestou-lhes dinheiro e alojamento por duas noites em sua casa. A dona Maria das Dores, sua mulher, recebeu-as como filhas. Pilar morria de medo, mas Isabella só lhe dizia para não ter medo pois via-se que eram boas pessoas.

Por isso, Pilar já estava habituada a esta curiosidade de Isabella.

Lá apareceu Isabella com uma cartita na mão e o seu sorriso maroto ... gritando:

- Temos aqui uma ... nem vais acreditar ... é de uma mãe adolescente solteira ...

publicado por Ennoea às 21:11
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